Status
O Status representa o poder de influenciar pessoas com base em posição social e também a probabilidade de conseguir uma audiência com outro personagem. Normalmente, varia de -2 (um escravo) a +3 (um rei). Em sociedades extremamente hierárquicas, vastas e complexas pode haver graus de Status mais elevados: um Imperador Galáctico, por exemplo, poderia ter Status +7, seus ministros, +6; o governador de um setor de seu Império, +5 e o governador de um planeta, Status +4.
Costuma ser totalmente independente da Inteligência Social e da Beleza. Pode, em muitas sociedades, estar relacionado aos Recursos e à Hierarquia, mas não se confunde com estes poderes. A Hierarquia dá o comando sobre um certo grupo de pessoas, mas não o poder de influenciar os que não são subordinados. Recursos permite comprar objetos e, às vezes, pessoas, mas não influencia aqueles a quem não se oferece dinheiro. Entretanto, tanto Hierarquia quanto Recursos podem, em certas culturas (inclusive a nossa), dar imediatamente o direito a um Status capaz influenciar outras pessoas.
A diferença de Status entre o personagem e a pessoa que ele tenta influenciar (ou a pessoa com quem ele quer conseguir uma audiência, ao solicitá-la a seu representante, secretário etc.) funciona como um bônus ou uma penalidade, a ser acrescentado à Inteligência Social, a outros bônus ou penalidades que sejam pertinentes à situação (Beleza, Reputação etc.) e ao treinamento na Habilidade adequada. Mas apenas em tentativas de influenciar pessoas que aceitem o sistema de valores predominante: não se aplica entre culturas inimigas ou que não se reconhecem mutuamente.
Um general, por exemplo, é respeitado pelas pessoas que reconhecem o governo a que serve, inclusive pelos exércitos de outros países com que esteja em paz (ou mesmo por inimigos, dentro de uma guerra “civilizada”), mas não por parte de índios não-aculturados, bandidos, rebeldes ou anarquistas.
Também é preciso que a pessoa influenciada seja capaz de determinar o Status do personagem. Geralmente, isso não é problema, mesmo para um desconhecido: o Status é visível através de propriedades, roupas, contatos e conhecimentos – principalmente os relativos aos costumes, valores, modos de falar e maneiras apropriados à sua classe. Se as condições forem apropriadas, um personagem pode tentar se disfarçar para aparentar um Status que não possui e terá direito aos bônus correspondentes, enquanto não for desmascarado.
Status flexível
Neste tipo de cultura é possível a um personagem subir rapidamente na escala de Status, desde que fique rico ou seja promovido dentro de uma organização socialmente poderosa. É o ideal de sociedades liberais como a dos Estados Unidos – embora, na prática, continue havendo certas restrições a essa ascensão, como o preconceito racial ou contra deficientes.
Pessoas de Hierarquia inferior normalmente dão mais consideração às de Hierarquia mais alta (se as reconhecerem como tais), mesmo que não estejam diretamente subordinadas a elas ou não pertençam à mesma organização. Também tratarão pessoas mais ricas com mais respeito. Freqüentemente procurarão agradá-las e atender seus pedidos, se forem razoáveis, contando com que isso lhes trará algum tipo de reconhecimento ou vantagem.
Para este efeito, se o personagem tiver diferentes graus hierárquicos em diferentes organizações importantes, considere o mais alto, mesmo que se trate de uma Hierarquia puramente honorífica (como um posto de oficial da reserva). Não conta, porém, a Hierarquia em uma organização secreta (como ser Grão-Mestre de uma loja maçônica) ou não influente na cultura dominante (como ser presidente do Clube Pé de Chinelo da Várzea do Tororó, ou ser um Duque em uma sociedade radicalmente republicana e liberal).
Nestas civilizações, o Status de um personagem normalmente equivale ao grau de sua mais alta Hierarquia relevante ou de Recursos (o que for maior), dividida por 5, com o resultado arredondado de forma apropriada. Por exemplo: um bispo (Hierarquia +9 na Igreja Católica), um general-de-exército (Hierarquia +10 nas Forças Armadas) e um bilionário (Recursos +10) têm, todos, Status +2. Em princípio, as únicas pessoas com Status negativo são pessoas extremamente pobres (principalmente mendigos), em situação ilegal (criminosos foragidos, imigrantes ilegais, prostitutas onde a prostituição é ilegal etc.), ou prisioneiras.
Típicas gradações de Status em sociedades flexíveis:
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grau de Status |
Exemplo |
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+3½ |
Presidente ou primeiro-ministro de uma superpotência |
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+3 |
Presidente ou primeiro-ministro de uma nação importante, papa |
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+2½ |
Ministro, governador, senador, presidente de um pequeno país, superbilionário, cardeal, líder de grande partido |
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+2 |
Prefeito de grande cidade, bilionário, marechal, general-de-exército, bispo, presidente de grande transnacional |
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+1½ |
Prefeito de cidade pequena, multimilionário, oficial superior (coronel, general), abade, reitor, alto executivo, modelo ou artista VIP |
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+1 |
Vereador de cidade pequena, milionário, delegado, oficial, pároco, gerente, pequeno empresário, médio executivo, cientista |
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+½ |
Policial, diretor de escola, sargento, freira, chefe de seção, profissional de classe média |
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0 |
Trabalhador comum |
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-½ |
Trabalhador muito pobre |
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-1 |
Marginal, imigrante ilegal |
Status semi-flexível
Este é o caso da Europa do século XIX e de muitas culturas antes rígidas que começaram a se “flexibilizar” em época relativamente recente. O “sangue azul” e os títulos de nobreza continuam a ser valorizados como se correspondessem a uma Hierarquia real, mesmo que os privilégios feudais já tenham desaparecido. Além disso, a antiguidade dos Recursos e da Hierarquia tem relevância. O Status de um “novo rico” é meio grau inferior ao que normalmente seria proporcionado por seus Recursos, ao passo que o de uma pessoa cuja família possui Recursos (ou Hierarquia) há muitas gerações é meio grau mais alto. Nesses casos, leva duas gerações para uma família perder a pecha de “nova rica” e cinco para ser considerada “tradicional”.
A casta, a raça, a cidadania e a cor da pele também podem ser relevantes. Um membro de um grupo moderadamente discriminado (como os cristãos-novos em Portugal e na Espanha do século XVII, as mulheres e os judeus na Europa do século XIX, negros nos EUA de hoje) tem um Status meio grau inferior ao que normalmente teria direito. Um membro de um grupo fortemente discriminado (como negros e índios na América do século XIX, párias na Índia moderna, mulheres em certos países islâmicos) tem um Status um grau inferior ao normal. Nestes casos, a antiguidade não apaga a inferioridade social enquanto a própria sociedade não for transformada.
Podem ainda existir cidadãos não livres (servos e escravos). Estes sempre terão Status negativo – tipicamente -1 a -2.
A Comunidade Holandesa, o Império Luso-Brasileiro e o Califado Wahabita no Universo do Brasil dos Outros 500 são sociedades do tipo semi-flexível. No Império Luso-Brasileiro, a servidão e escravidão foram abolidas e a discriminação racial, religiosa e de gênero são residuais (existe apenas por parte de uma minoria intolerante, mas de poder limitado, geralmente membros da velha nobreza e seus admiradores), mas os cidadãos dos estados vassalos sofrem uma penalidade de meio grau em Status.
Também é semi-flexível a sociedade do Império de Trantor, no Universo da Solidariedade Galáctica.
Status rígido
Em muitas civilizações, pode não haver relação necessária entre Status e Recursos, ou mesmo Hierarquia: um nobre na Europa medieval ou no Japão dos samurais, ainda que empobrecido e desprovido de servos e seguidores, continuava a ter um Status elevado. O Status de um usurário na Europa medieval, como também o de um comerciante no antigo Japão, era baixo, ainda que tivesse muito dinheiro e empregados. O Universo de Atlântida é uma sociedade de Status rígido, como também várias sociedades do Universo do Brasil dos Outros 500, incluindo Tawantinsuyu, Império Méxica, Sacro Império, Rússia, Império Sino-Japonês, os protetorados asiáticos da Comunidade Holandesa e Antilha.
Os personagens não podem subir nem descer no Status, salvo, talvez, casos muito excepcionais. Recursos ou Hierarquia não conferem Status – pelo contrário, é o Status que dá acesso à Hierarquia e à maior parte das formas de Recursos. Não é possível comandar um exército ou ser nomeado bispo sem ser de nascimento nobre. Talvez seja possível encontrar um tesouro ou fazer dinheiro com comércio sem ter alto Status, mas esses Recursos permanecem vulneráveis (é difícil defendê-los sem ser nobre) e não conferem respeito social. Geralmente, as pessoas herdam o Status de seus pais – mas é possível imaginar casos mais incomuns em que o Status seja atribuído de forma diferente, mas também permanente: um suposto carma (como o Dalai Lama do Tibete, identificado na primeira infância como reencarnação do Dalai Lama recém-falecido), momento astrológico do nascimento, perfeição genética, beleza, resultados de testes ou exames físicos ou psicológicos etc.
A maioria dessas sociedades abre possibilidades restritas de ascensão social: na Europa medieval, por exemplo, era possível, mas raro, que um escravo fosse alforriado, um cidadão livre ascendesse à nobreza ou um guerreiro fosse premiado com um condado por seus serviços ao rei, mas eram situações muito excepcionais. Um Status novo porta uma penalidade de meio grau, ao passo que o Status de uma família que é poderosa há muitas gerações é meio grau mais alto. Leva cinco gerações para uma família ter seu Status plenamente reconhecido e doze para ser considerada “antiga”.
Um pouco menos incomum, possivelmente, era ascender através da Hierarquia da Igreja: no momento certo, uma excepcional reputação de santidade ou uma grande habilidade estratégica podia catapultar ao papado um monge, ou mesmo um eremita – neste caso, sem penalidade pelo Status “novo”. Sempre uma exceção: a grande maioria dos bispos e arcebispos era recrutada dentro da alta nobreza e quase todos os cardeais e papas vinham da nobreza romana.
Algumas sociedades podem ser ainda mais rígidas, de forma a tornar completamente impossível a mudança de Status: é o caso, por exemplo, da Índia, na qual a casta é vista como espiritualmente determinada pelo nascimento. Também é o caso de sociedades em que o Status é rigidamente determinado pela raça ou pela cor da pele – como os judeus na Europa medieval, na Rússia dos czares ou na Alemanha nazista e os negros e índios na América colonial.
As mulheres legalmente casadas, mesmo que sejam discriminadas, não costumam sofrer este tipo de limitação – mesmo quando destituídas de poder e de liberdade, as esposas têm Status no máximo um grau inferior ao de seus maridos (ou mesmo nenhum, dependendo da sociedade) e são tratadas com o devido respeito pelas classes subalternas. Concubinas, porém, costumam ter baixo Status.
Típicas gradações de Status em sociedade rígida (Europa Medieval):
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grau de Status |
Exemplo |
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+3½ |
Imperador romano ou chinês |
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+3 |
Imperador na Europa medieval, grande rei, papa, patriarca ortodoxo |
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+2½ |
Príncipe herdeiro ou rei de um pequeno Estado, cardeal, primaz |
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+2 |
Duque, marquês, conde, bispo, arcebispo |
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+1½ |
Visconde, barão, abade, arcediago, decano |
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+1 |
Fidalgo, cavaleiro, escudeiro, pároco, grande mercador |
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+½ |
Mercador, mestre artesão, diácono, freira |
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0 |
Camponês livre, artesão |
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-½ |
Trabalhador muito pobre |
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-1 |
Servo, pagão |
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-2 |
Escravo, herege |
Típicas gradações de Status em sociedade rígida (Índia antiga):
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grau de Status |
Exemplo |
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+3 |
Grande rei ou Imperador sagrado |
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+2 |
Brâmane (sacerdote) |
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+1½ |
Rajá (pequeno soberano) |
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+1 |
Xátria (guerreiro) |
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0 |
Váixia (mercador ou proprietário) |
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-1 |
Sudra (camponês) |
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-2 |
Pária, selvagem |
Sociedades igualitárias e semi-igualitárias
Sociedades igualitárias – por serem muito pequenas e simples ou por combaterem ativamente a desigualdade – não admitem qualquer tipo de desigualdade de Status: todos têm Status 0, ainda que possam se beneficiar de outros tipos de distinção. Membros dessas sociedades também tratarão todos os estrangeiros como se tivessem Status 0, seja qual for o Status que tenham em sua sociedade de origem.
Sociedades semi-igualitárias permitem variações limitadas de Status: de 0 até +1 ou +2, digamos, que podem ser rígidas ou flexíveis. Tais sociedades não conferem a estrangeiros um Status mais alto do que o máximo reconhecido em sua própria sociedade, por mais elevado que seja o seu Status original. Um índio tupi não-aculturado, por exemplo, não reconhecerá a um Imperador um Status maior do que +1 ou, no máximo +2.
Típicas gradações de Status em sociedade semi-igualitária (Índios tupi):
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grau de Status |
Exemplo |
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+2 |
Grande chefe ou feiticeiro (Status normalmente temporário) |
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+1 |
Morubixaba ou pajé da aldeia |
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+½ |
Grandes guerreiros ou caçadores |
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0 |
Homens |
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-½ |
Mulheres |
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-1 |
Crianças |
No Universo da Solidariedade Galáctica, a própria Solidariedade Galáctica e o Sistema Solar são sociedades igualitárias quanto ao Status, apesar de existirem outros tipos de distinção pessoal – Reputação, alguns tipos de Hierarquia e mesmo uma variação limitada de Recursos.
Utopia, no Universo do Brasil dos outros 500, é uma sociedade semi-igualitária: existe uma pequena elite meritocrática, selecionada por sua capacidade e uma pequena aristocracia de sangue, ambas com Status +1, estrangeiros pobres com Status -1 e escravos condenados a trabalhos forçados, com status -2.